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TravessiaTravessia

Uma startup de IA brasileira estava no meio de uma mudança de modelo — de consultoria para produto. A transição acontecia, mas ninguém havia mapeado o custo humano disso. Engenheiros entravam motivados e saíam em menos de dois anos. A liderança sentia a rotatividade, mas não tinha vocabulário para nomear o problema.

A Brazilian AI startup was in the middle of a model shift — from consulting to product. The transition was happening, but no one had mapped its human cost. Engineers joined motivated and left within two years. Leadership felt the turnover but didn’t have the language to name the problem.

EmpresaStartup brasileira de IA, ~100 pessoas
Ano2021
PapelService Designer e pesquisadora — dupla com facilitadora organizacional, ambas internas
ColaboraçãoEdna (facilitadora organizacional)
CompanyBrazilian AI startup, ~100 people
Year2021
RoleService Designer and researcher — duo with organizational facilitator, both internal
CollaborationEdna (organizational facilitator)
O Problema RealThe Real Problem

O briefing era sobre mudança cultural. O problema era outro: a jornada do colaborador nunca havia sido desenhada. Existia como prática informal, cheia de lacunas, sem dono e sem métrica. A entrada era reativa — contratava-se por urgência, não por planejamento. O onboarding era genérico. O desenvolvimento de carreira, inexistente para a maioria.

Quem ficava ficava apesar da experiência, não por causa dela.

O que a pesquisa revelou não era surpresa para quem vivia o dia a dia, mas nunca havia sido documentado de forma que a liderança pudesse atuar sobre. Os dois perfis de engenheiro que mapeamos chegavam pelo mesmo caminho e saíam por razões opostas — um por atração externa, o outro por desgaste acumulado. O ponto de ruptura era o mesmo: ausência de estrutura e invisibilidade de carreira.

The brief was about cultural change. The real problem was different: the employee journey had never been designed. It existed as informal practice, full of gaps, with no owner and no metrics. Hiring was reactive — driven by urgency, not planning. Onboarding was generic. Career development, nonexistent for most.

People who stayed, stayed despite the experience — not because of it.

What research revealed wasn’t a surprise to those living it day-to-day, but had never been documented in a way leadership could act on. The two engineer profiles we mapped entered the same way and left for opposite reasons — one pulled by external opportunity, the other worn down by accumulated friction. The breaking point was the same: absence of structure and career invisibility.
ResultadoResults
–45%
tempo de contratação após redesenho da jornada
KPIs
de employee experience implementados pela primeira vez
time to productivity e Employee Engagement Index
–45%
hiring time after journey redesign
KPIs
of employee experience implemented for the first time
time to productivity and Employee Engagement Index

A jornada de atração e seleção foi redesenhada e aplicada. O tempo de contratação caiu 45%. Foram implementados KPIs de employee experience — algo que não existia antes, o que significa que os dados anteriores eram de percepção, não de medição. Após a implementação, a organização passou a acompanhar time to productivity e Employee Engagement Index, com melhora gradual em ambos.

The attraction and selection journey was redesigned and applied. Hiring time dropped 45%. Employee experience KPIs were implemented for the first time — which means prior data was based on perception, not measurement. Post-implementation, the organization began tracking time to productivity and Employee Engagement Index, with gradual improvement in both.

O mais relevante não é o número. É que a organização passou a ter um sistema de escuta sobre a experiência do colaborador onde antes não havia nenhum.
The most significant outcome isn’t the number. It’s that the organization now has a listening system for employee experience where none existed before.
Minha AbordagemMy Approach

Conduzi o projeto em três fases com ganho incremental em cada uma.

Preparar: entrevistei seis lideranças para mapear os conflitos que travavam a decisão antes de qualquer proposta de solução. Sem entender o que a organização já havia tentado e onde havia resistência, qualquer recomendação chegaria no vazio.

Aprofundar: quinze entrevistas em profundidade com engenheiros e lideranças de produto, três workshops de reflexão com mais de trinta engenheiros, e quatro semanas de acompanhamento de hackathon. Síntese com framework Luz/Sombra por tema — não para equilibrar positivo e negativo, mas para tornar acionável o que estava sendo visto.

Aterrar: workshop de cocriação com todas as lideranças de área para ideação sobre os pontos de dor identificados. O objetivo era co-construção, não validação do que já havia sido decidido.

Descartei fazer apenas um relatório de recomendações. Sem espaço de co-construção com a liderança, recomendações viram gaveta.

I ran the project in three phases with incremental gains at each stage.

Prepare: interviewed six leaders to map the conflicts blocking decision-making before any solution was proposed. Without understanding what the organization had already tried and where resistance lived, any recommendation would land in a vacuum.

Deepen: fifteen in-depth interviews with engineers and product leaders, three reflection workshops with over thirty engineers, and four weeks of hackathon observation. Synthesis using a Light/Shadow framework by theme — not to balance positive and negative, but to make what was being seen actionable.

Land: co-creation workshop with all area leaders for ideation on identified pain points. The goal was co-construction, not validation of what had already been decided.

I didn’t settle for a recommendations report. Without a co-construction space with leadership, recommendations become shelf documents.
Ferramentas e métodosTools & methods
15 entrevistas em profundidade com engenheiros e lideranças
Framework Luz/Sombra — síntese em 11 temas
2 mapas de jornada do engenheiro com perfis comparativos
Service Blueprint AS IS — estado atual da jornada do colaborador
3 workshops de reflexão com +30 engenheiros
Workshop de cocriação com lideranças de área
Deck de resultados apresentado para toda a organização
15 in-depth interviews with engineers and leaders
Light/Shadow framework — synthesis across 11 themes
2 engineer journey maps with comparative profiles
Service Blueprint AS IS — current state of the employee journey
3 reflection workshops with 30+ engineers
Co-creation workshop with area leaders
Results deck presented to the full organization
O que eu fizWhat I did
Entrevistas com 6 lideranças na fase de preparação para mapeamento de conflitos e resistências
15 entrevistas em profundidade com engenheiros e lideranças de produto
Síntese com framework Luz/Sombra em 11 temas — separando observação de interpretação
2 mapas de jornada do engenheiro com perfis comparativos (atração externa vs. desgaste acumulado)
Service Blueprint AS IS da jornada do colaborador — 7 etapas, 5 camadas, 3 fail points e 2 gargalos mapeados
3 workshops de reflexão com +30 engenheiros e workshop de cocriação com lideranças
Deck de resultados apresentado para toda a organização
Interviews with 6 leaders in preparation phase to map conflicts and resistance
15 in-depth interviews with engineers and product leaders
Light/Shadow framework synthesis across 11 themes — separating observation from
Service Blueprint · AS IS · Startup de IA · 2021
Jornada do Colaborador — Estado Atual
7 etapas · 5 camadas · 3 Fail Points · 2 Gargalos de Espera · Foco: Engenheiro de produto
Service Blueprint · AS IS · Startup de IA · 2021
Jornada do Colaborador — Estado Atual
7 etapas · 5 camadas · 3 Fail Points · 2 Gargalos de Espera · Foco: Engenheiro de produto
Evidências Físicas
Ações do Cliente
Frontstage
Backstage
Suporte
F
Fail Point
Gargalo
Camadas ↓
Etapas →
Etapa 01
Busca por emprego
Pré-entrada
Etapa 02
Seleção
Processo seletivo
Etapa 03
Proposta
Oferta
Etapa 04
Orientações iniciais
Primeiras 2 semanas
Etapa 05
Mergulho no projeto
0–6 meses
Etapa 06
Crescimento na carreira
6–18 meses
Etapa 07
Saída
Fim da atuação
Evidências
Físicas
Artefatos tangíveis e digitais
  • Site sem cases ou cultura
  • LinkedIn da empresa
  • Boca a boca de ex-colegas
Nenhum material público sobre cultura
  • Convite informal por e-mail ou LinkedIn
  • Sem descrição formal da vaga
  • Agenda de entrevistas
  • Carta de oferta verbal ou informal
  • Sem documento formal de proposta
  • Contrato de trabalho
⏳ G1
  • E-mails de boas-vindas genéricos
  • Sem material de onboarding
  • Acesso a ferramentas sem guia
Colaborador navega sozinho
  • Convites de reunião sem contexto
  • Repositórios de código
  • Slack / canais internos
F2
  • Sem documento de trilha de carreira
  • Sem framework de avaliação
  • Feedback ad hoc, sem registro
  • Desligamento informal
  • Sem offboarding documentado
  • Sem entrevista de saída estruturada
↔ Linha de Interação
Ações do
Cliente
Jornada do engenheiro
  • Pesquisa a empresa — não encontra cultura
  • Avalia por propósito e desafio técnico
  • Recebe indicação interna
  • Passa por múltiplas entrevistas
  • Demonstra habilidades técnicas
  • Avalia cultura pela impressão das pessoas
  • Compara proposta com mercado
  • Aceita abaixo do mercado pelo propósito
  • Decide em prazo curto
⏳ G1
  • Entra direto na operação
  • Pergunta o que deveria estar documentado
  • Tenta entender nomenclaturas sozinho
  • Mergulha com entusiasmo inicial
  • Percebe ausência de processos
  • Começa a questionar (perfil 2)
F2
  • Busca feedback, não encontra estrutura
  • Não sabe se está evoluindo
  • Sente estagnação e invisibilidade
  • Perfil 2: crise de saúde mental
F3
  • Oportunidade externa (perfil 1) ou desgaste (perfil 2)
  • Saída sem entrevista estruturada
  • Org perde sênior sem capturar conhecimento
?? Linha de Visibilidade
Frontstage
Visível ao colaborador
F1
  • Sem conteúdo público sobre cultura
  • Empresa invisível sem rede interna
Atração 100% por indicação
  • Entrevistas com executivos e lideranças
  • Processo percebido como ágil e humano
  • Atenção à situação atual do candidato
  • Oferta pelo gestor direto
  • Negociação informal, sem RH
  • Prazo de resposta curto imposto
⏳ G1
  • Apresentações informais com o time
  • Alta disponibilidade dos gestores
  • Sem ritual estruturado de boas-vindas
  • Reuniões sem contexto prévio
  • Gestor como único ponto de apoio
  • Participação em atividades do time
F2
  • Sem 1:1 estruturado ou feedback
  • Promoção depende de negociação direta
  • Comunicação sobre carreira inconsistente
  • Desligamento por conversa direta
  • Sem processo de offboarding
  • Sem transferência de conhecimento
⚙ Linha Interna
Backstage
Invisível ao colaborador
F1
  • Vaga aberta por urgência de projeto
  • Sem planejamento de headcount
  • Requisição informal à liderança
  • Lideranças alinham perfil informalmente
  • Sem scorecard de avaliação
  • Decisão de oferta por consenso
  • RH formaliza após aceite verbal
  • Sem benchmark salarial sistemático
  • Cargo sem descrição clara
⏳ G2
  • Área de Pessoas prepara acessos
  • Sem guia de onboarding padronizado
  • Cada gestor conduz integração do seu jeito
Tempo para produtividade indeterminado
  • Sem documentação de processos
  • Pressão de entrega antes da ambientação
  • Alocação sem clareza de papel
F2
  • Sem ciclo formal de performance
  • Política salarial opaca
  • Carreira: dois cargos apenas
F3
  • Saída sem entrevista de saída
  • Sem captura de conhecimento
  • Custo de reposição não mensurado
Processos de
Suporte
Sistemas e parceiros
  • LinkedIn (sem employer branding)
  • Site (sem seção de cultura)
  • Rede de ex-funcionários e acadêmicos
  • Calendly / Google Agenda (manual)
  • Sem ATS
  • E-mail como único canal
  • Google Docs (contrato)
  • Sem gestão de propostas
  • Departamento pessoal
⏳ G2
  • Sem LMS ou plataforma de onboarding
  • Slack como repositório informal
  • Acessos via ticket manual para TI
  • GitHub / GitLab
  • Jira / Notion (inconsistente)
  • Miro para workshops
  • Sem HRIS com performance
  • Planilha ad hoc para salários
  • Dovetail (uso restrito ao design)
  • Sem sistema de offboarding
  • Sem knowledge management
  • Reposição reinicia do zero
F
Fail Points (3 identificados)
F1
Atração 100% dependente de indicação interna
Etapa: Busca / Frontstage / Backstage. Sem presença pública sobre cultura. Contratação reativa por urgência. Restringe alcance a quem conhece alguém dentro — criando viés de rede sistêmico.
F2
Ausência total de estrutura de desenvolvimento de carreira
Etapa: Crescimento (6–18 meses). Sem trilha, ciclo de performance ou feedback estruturado. Para o Perfil 2, esse vácuo gera desgaste progressivo que culmina em saída por desmotivação — não por oferta melhor.
F3
Saída sem captura de conhecimento organizacional
Etapa: Fim da atuação. Desligamento informal, sem entrevista de saída, sem knowledge transfer. A organização perde o profissional e o conhecimento. A reposição reinicia do zero.
Gargalos de Espera (2 identificados)
G1
Onboarding desestruturado — tempo de produtividade indeterminado
Etapa: Orientações iniciais (2 semanas). Sem material padronizado, sem ritual de boas-vindas. Cada gestor conduz do seu jeito. O colaborador aprende perguntando o que deveria estar documentado.
G2
Provisionamento de acessos via processo manual e sem SLA
Etapa: Orientações iniciais / Suporte. Ticket manual para TI sem prazo. Colaborador chega no primeiro dia sem ambiente configurado. Gargalo invisível — não há KPI que o capture.
Conexões: como falha no Processo de Suporte impacta a Ação do Cliente
A ausência de um HRIS com módulo de performance (Suporte, Etapa 06) é a raiz estrutural do Fail Point F2. Sem sistema, não há dado. Sem dado, não há política. Sem política, o gestor improvisa.
Sem HRIS de performance
Sem ciclo formal
Política opaca
Feedback ad hoc
Colaborador não sabe como crescer
Saída por desgaste (F2 + F3)
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G1
Onboarding desestruturado — tempo de produtividade indeterminado
Etapa: Orientações iniciais (2 semanas). Sem material padronizado, sem ritual de boas-vindas. Cada gestor conduz do seu jeito. O colaborador aprende perguntando o que deveria estar documentado.
G2
Provisionamento de acessos via processo manual e sem SLA
Etapa: Orientações iniciais / Suporte. Ticket manual para TI sem prazo. Colaborador chega no primeiro dia sem ambiente configurado. Gargalo invisível — não há KPI que o capture.
Conexões: como falha no Processo de Suporte impacta a Ação do Cliente
A ausência de um HRIS com módulo de performance (Suporte, Etapa 06) é a raiz estrutural do Fail Point F2. Sem sistema, não há dado. Sem dado, não há política. Sem política, o gestor improvisa.
Sem HRIS de performance
Sem ciclo formal
Política opaca
Feedback ad hoc
Colaborador não sabe como crescer
Saída por desgaste (F2 + F3)